Durante uma recente viagem ao Oriente Médio com a seleção brasileira, um jornalista precisou avisar à recepção do hotel em Doha e Mascate que realmente não precisava que algum dos deferentes e sorridentes funcionários batesse à porta oferecendo para afofar meus travesseiros. De repente fazia parte da cultura de mimos de hotéis de luxo.
Mas durante a leitura matinal dessa semana topo com um press release do braço londrino da rede Holiday Inn anunciando um bizarro serviço de aquecimento humano de colchões nos hotéis de Londres e Manchester.
De acordo com a rede, o serviço será oferecido para aumentar o conforto de hóspedes sofrendo com os rigores do inverno europeu. Haverá um teste nos próximos 10 dias, em que empregados vestindo um traje especial térmico se deitarão nas camas por alguns minutos antes dos hóspedes retornarem aos quartos. Além da estranheza da operação, o que me faz coçar a cabeça é o fato de que os hotéis Holiday Inn estão longe de ser palacetes ou hotéis-boutique.
Tem todo jeito de factóide num momento em que a indústria hoteleira tenta atrair clientes nesses tempos ainda bicudos para o turismo, mas se até estabelecimentos de uma linha mais standard resolverem se dobrar à cultura da adoração ao hóspede, coitados dos funcionários que já trabalham como servos, ainda que tratados com um pouco mais de humanidade no mundo ocidental.
O que se passará na cabeça de alguém deitando-se em dezenas de camas para cumprir o que os executivos do Holiday Inn não hesitaram em comparar publicamente como ''ter uma imensa bolsa de água quente na cama''.
Vão se juntar à turma que molha a areia nas praias de resorts árabes para que os hóspedes não queimem os pés ao sair do mar?
Enviado por Fernando Duarte
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
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